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O planeamento no contexto da imprevisibilidade : algumas reflexões relativas ao sector da saúde As previsões feitas no planeamento tradicional, com base na quantificação, carecem de substituição por uma visão prospectiva que valorize os parâmetros qualitativos, com recurso à metodologia dos cenários, a qual, entre outras características, deve descrever a evolução do sistema estudado, tendo em conta as evoluções mais prováveis das variáveis-chave a partir de jogos de hipóteses do comportamento dos actores.
O planeamento deve equacionar o contexto em que se actua, os múltiplos interesses e as relações de poder, de influência ou de conflitualidade entre os vários actores sociais. Ao nível do sistema de saúde, o processo de planeamento deve basear-se numa estrutura descentralizada que valorize as soluções adequadas a cada território e a aceitação de uma abordagem diferente numa óptica de mercado; deve assumir a forma de um processo de negociação, perspectivado num contexto de mudança, o que facilita a obtenção dos objectivos e aumenta a capacidade de aprendizagem e de inovação dos actores.
Importa reforçar a ideia da interligação entre os centros de saúde, hospitais e cuidados continuados, quer ao nível do sector público, quer social, os quais, no espaço onde actuam, possam encarar a saúde com uma abordagem mais alargada, associada directamente à qualidade de vida, em que sejam valorizadas, além das dimensões tradicionais, também a relacional, cultural, ambiental e espiritual. A saúde deve, desta forma, ser vista como vector de desenvolvimento, o que pressupõe que a mesma seja parte integrante de uma estratégia de intervenção multisectorial, com projectos que tenham características de sustentabilidade.
Num processo de desenvolvimento, os projectos a considerar devem proporcionar uma análise integrada das necessidades da população, com novas perspectivas de acção, uma concentração de esforços e melhor aproveitamento dos recursos, fomentando sinergias e a promoção da capacidade, motivação e autonomia da comunidade. Uma resposta de qualidade que dê satisfação às necessidades pressupõe também que os recursos humanos sejam considerados o capital mais importante no seio de uma organização, pelo que os profissionais devem ser possuidores de um bom nível de informação, adequada às funções, formação contínua e empowerment.
A actuação integrada só pode ser desenvolvida em parceria, onde se envolvam não só os serviços estatais, mas outros da sociedade civil, de forma a contribuir para o desenvolvimento humano, do qual a saúde faz parte integrante.
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